Thursday, 25 September 2014

Cibercultura e ensino superior

Como a cibercultura impacta o ensino superior?

Após assistir aos dois vídeos com André Lemos e Viviane Mosé, relacione-os às questões levantadas pelo professor Marco Silva no artigo Cibercultura e educação: a comunicação na sala de aula presencial e online.

Aponte questões que acha relevante para a melhoria dos processos de ensino-aprendizagem no ensino superior mediado pelas tecnologias digitais.

12 comments:

  1. Há inúmeras questões a ser levantadas a partir dos videos e do texto, eu gostaria de focar em um dos elementos que mais me chamou a atenção. Me identifiquei bastante com o problema recorrente enfrentado por quem pretende utilizar as tecnologias digitais na pratica docente de modo consciente: a simples transposição do modo tradicional de ensino (onde o professor fala e o aluno escuta e anota) para a "versão digital". A cibercultura e a comunicação online atuariam contra essa comunicação unidirecional, onde os estudantes são agentes passivos na construção do conhecimento. Assim, haveria um favorecimento da bidirecionalidade e o professor seria (nas palavras de Marco Silva), um "arquiteto de percursos" (algo já levantado no video da semana anterior ("Educ@r - A (r)evolução digital na educação com Martha Gabriel). Me agrada a idéia de sermos, como educadores, uma espécie de "guia" para que nossos alunos possam construir de forma ativa o conhecimento (aliás, me lembra um pouco a idéia de construtivismo do Paulo Freire, mas como não sou especialista no assunto, não sei se a ligação seria pertinente).
    Na vida real (incluindo as experiências já compartilhadas pelos meus colegas nos foruns), vejo que, ao contrário do que esperamos, nossos estudantes não se entusiasmam tanto assim com as tecnologias digitais: reclamam que precisam estudar mais, se esforçar mais, enfim... realmente precisam parar de ser passivos (dependendo de como a tecnologia eh usada, claro).
    Esses materiais me levam a refletir sobre como posso usar a tecnologia para fazer algo que seja realmente novo e não apenas uma mera transposição dos modelos de ensino-aprendizagem de sempre.

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    1. É exatamente esta a ideia, Mercedes! Refletirmos sobre nossa prática e como podemos fazer um uso mais criativo, crítico e inovador das tecnologias.
      Podemos utilizar as tecnologias como simples forma de transposição de métodos tradicionais de ensino (comunicação unidirecional), que não são mais eficientes.
      O que precisamos mudar antes de tudo é o modelo comunicacional, fazendo uso de um modelo multidirecional, característico das tecnologias da web 2.0 e da cibercultura, como propõe Silva. Caso contrário, vamos continuar com velhos modelos sob novas roupagens, como no vídeo abaixo:
      https://www.youtube.com/watch?v=xLRt0mvvpBk

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    2. Esta mensagem foi enviada pelo Rainer:

      Muito obrigado pela iniciativa, Mercedes. A bidirecionalidade do ensinamento, na verdade, já se dava na antiguidade, só que ficou na maioria dos ensinamentos concretos mera teoria. Este modelo de bidirecionalidade achou expressão sofisticada na literatura dialógica, incentivada por Sócrates (e fixado na escrita por Platão). É um modelo onde não tem um professor declarado, mas (se for) somente um professor implícito: aquele dos interlocutores que sabe mais ou que segue explicar e argumentar uma coisa melhor do que os outros - mas esses outros interlocutor têm a chance de aprender com o interlocutor-líder e tornar-se mesmos (teoricamente) interlocutor principal, ou seja cada um pode desempenhar o papel de professor, embora tendo sido "aluno" (como também nos professores da UFRJ no passado fomos alunos). Na verdade, neste modelo, a diferença entre aluno e professor é muito menos claro do que no ensinamento real atual no Brasil, porque se definimos aluno aquele que aprende uma coisa, é claro que todos nos somos alunos e no mesmo tempo professores (= aquele que nos faz aprender uma coisa). Este modelo dialógico foi revitalizado no Renascimento, por exemplo por Leon Battista Alberti, mas infelizmente seguiu um modelo rígido, que dominou nos séculos seguintes até quando nos anos setenta do século passado foi questionado, quando começou um desenvolvimento que deu direito aos alunos de criticar o ensinamento e o próprio professor e resultou em uma influencia melhor dos parentes no desdobramento do ensino fundamental (pelo menos na Áustria é assim).
      Quer dizer que podemos mudar o modelo escolar e universitário atual, mas que não temos que inventar algo totalmente novo. Já teve modos do ensinamento mais livre e mais criativo do que aquele agora dominante. Podemos os re-descobrir e evitar assim "a transposição dos modelos de ensino-aprendizagem de sempre."
      Quanto aos alunos é mesmo assim como você diz: eles reclamam sobre o implemento da tecnologia digital. E eles reclamam com razão, porque é de verdade, pelo menos no inicio, algo ADICIONAL, e eles já têm uma carga horária enorme. Ademais, eles vivem em um mundo com demasiadas possibilidades e ondas de informações. Nos temos que mostrar eles, quais são as informações essenciais para eles e quais, por outro lado, são informações que conduzem a uma sobrecarga inútil dos alunos. Somente depois de ter feito isso, podemos implementar novas ou outras actividades ALTERNATIVAS (não ADICIONAL), baseadas no ensino digitalizado.

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    3. Olá Rainer,
      Gostei muito da questão do adicional X alternativo e acredito que este deve ser o caminho para a incorporação das tecnologias digitais no ensino superior: não como algo adicional, mas complementar e que pode substituir outra atividade, por exemplo.
      Parte do sucesso dessa incorporação se deve ao aluno perceber o valor agregado da tecnologia. Como ela pode ajudá-lo e até mesmo reduzir, por exemplo, a sua carga horária presencial na universidade ao realizar atividades on-line. Há muitas alternativas e possibilidades e vamos explorando para ver aquelas que são mais interessantes e atendem ás nossas demandas e objetivos.

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  3. As novas tecnologias mudaram as nossas vidas rapidamente. Tão rapidamente que ainda estamos nos adaptando a essas mudanças. Toda mudança brusca gera desconfiança e medo. No ensino não é diferente, encontramos as tecnologias disponíveis para uma revolução no modo de ensinar e aprender, só que fechado em uma instituição tradicional de ensino com professores alfabetizados digitais. Gostei da colocação da Martha Gabriel quando ela diz que os professores são 1.0 e os alunos 2.0. O ensino ainda está muito pautado em cima do conteúdo que o professor passa em sala de aula, vinculado ao modelo unidirecional “um-todos”, baseado na transmissão dos dados (Silva 2008). Se a informação está na web e qualquer um pode acessar, qual seria o novo papel do professor?
    É importante ressaltar que a tecnologia entra como auxiliar no processo de ensino e aprendizagem, mas é o professor quem comanda este processo. O aluno tem fluência na tecnologia, mas não sabe refletir, coordenar a informação, conectar os vários tipos de assuntos. Esse tipo de conexão, quem tem o domínio e a autoridade é o professor (Martha Gabriel).
    Segundo Marco Silva, o professor deve propor o conhecimento em teias. O que Silva denominou de conhecimento em teia (hipertexto) eu gosto de chamar de conhecimento zapeado. Acho o termo apropriado para uma geração que convive desde os primeiros passos com a tecnologia. A geração Z assiste a TV, usa o computador, ouve música, tecla no Whatsapp: tudo ao mesmo tempo. As informações estão na palma da mão e basta um clique. O resultado é rápido e dinâmico. Zapeando na web, a geração Z interage com o que existe sobre aquele assunto, compartilha essas informações, faz pactos com outros internautas, se agrega rapidamente, cria conteúdos e posta livremente. Enfim, conduz suas explorações. Acredito num ensino não linear, cooperativo, compartilhado, fragmentado e zapeado.
    Se um empresário deve atender às necessidades dos seus clientes, um professor deve atender às necessidades dos seus alunos. O foco da educação está no aluno. O professor tem que conhecer os seus alunos, seus interesses, como eles aprendem, como se conectam com o mundo, como compartilham informações, como pensam etc. Não adianta tentar impor um modelo de ensino que foi aprendido há 20 anos e que estava dando certo até pouco tempo.
    O mundo mudou, o aluno mudou, as tecnologias mudaram, os professores estão tentando se adaptar a essas mudanças e a estrutura das instituições de ensino permanece a mesma.
    A implantação, das novas tecnologias no ensino, começa com o reconhecimento de que a geração Z pensa e aprende muito diferente das gerações anteriores. Depois passa pela necessidade de alfabetização digital e capacitação metodológica dos professores e se completa com a mudança na estrutura física da universidade.

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    1. Muito bom, Emília! Me pergunto apenas sobre a questão da teia e do zapear, pois no conhecimento em teia que Silva menciona, ou mesmo no hipertexto, há esta noção de links, de relação entre os diferentes textos/conteúdos. No zapear, apesar da relação dinâmica e não linear, também características do hipertexto, nem sempre há uma relação entre os conteúdos. O que acha?
      Ah, achei este artigo bem interessante sobre a geração Z, veja o que acha:
      http://blackboard.grupoa.com.br/seis-caracteristicas-que-definem-os-jovens-%E2%80%9Cuniversitarios-z%E2%80%9D/

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    2. Oi, Cíntia! A intenção é zapear dentro de um mesmo assunto. Só que quando se começa a zapear na web abrimos um portal com diversas possibilidades. Nesse momento se estabelece um caos com diversas opções e o que vai nortear o aprendizado é o interesse em determinado assunto. Adorei o texto sobre a geração Z. Eles usam as linguagens de aprendizagem não-lineares no dia a dia e fazem o mesmo quando estudam a matéria da disciplina. Como exemplifica o autor: "Essa é uma geração que começa lendo um link que descreve um jogo de futebol e terminam baixando um poema japonês do século XIX". Por que aprenderiam diferente no ensino formal?

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  4. Já percebemos a importância da mudança do antigo modelo educacional por modelos que se adaptem as atuais condições rápidas de aprendizagem dessa nova era tecnológica, onde todos estão ligados de alguma maneira.
    Talvez um professor de ensino médio enfrente menos dificuldade em usar alguns recursos, como o uso do celular para fazer pequenos vídeos para auxílio nas aulas, do que um professor de graduação, talvez até pelo tipo de conteúdo... não sei!! Acho que cabe adaptações e criatividade.

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    1. Sim, Fátima, adaptação e criatividade são habilidades fundamentais. De acordo com a disciplina e o conteúdo adaptamos as atividades e o uso que fazemos de diferentes tecnologias.
      Utilizei, por exemplo, uma ferramenta de criação de webquest (atividade voltada para buscas na web) com alunos da graduação e deu muito certo! Além das atividades de pesquisa que eles deveriam fazer, após a busca de informações eles tiveram que criar um vídeo e publicar no YouTube e postar em um fórum para a discussão. Nessa atividade, além de integrar teoria e prática, os alunos puderam utilizar sua criatividade da gravação do vídeo e fizeram uso de diversas tecnologias digitais. Deu muito certo!

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  5. Para mim, fica cada vez mais claro que é preciso muito mais tempo e dedicação para o ensino nos moldes novos, onde o professor não é o único detentor do conhecimento. Mas como fazer isso se temos tantas coisas para resolver antes, se os alunos não se dedicam como deveriam para que o processo seja eficiente e produtivo? Como fazer isso em um centro da UFRJ onde não há internet em sala, sequer tem sinal de telefonia celular? Desculpem... ando desanimada com a falta de infra-estrutura e falta de apoio por parte da instituição...

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    1. Olá! Não precisa se desculpar. Você tocou em duas questões chave para o sucesso de qualquer iniciativa de incorporação de tecnologias na educação: tempo e infraestrutura. O professor precisa de tempo para se familiarizar com a tecnologia, para preparar atividades, pesquisar materiais na web, etc. A grande carga de trabalho dentro e fora da universidade (na docência e na pesquisa), muitas vezes prejudica este maior envolvimento com a tecnologia por parte dos professores. Por outro lado, sem a infraestrutura necessária também fica complicado desenvolvermos projetos dentro da sala de aula. Uma opção, como já discutimos, é a aprendizagem híbrida ou mesmo a sala de aula invertida, onde os alunos fazem as atividades on-line fora da sala de aula e utilizamos o espaço da sala de aula para estimular as discussões face-a-face e atividades práticas.

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